Coronavírus: Familiares denunciam situação dos presídios na pandemia


A pandemia do novo coronavírus (covid-19) expõe dificuldades, como a deficiência do Estado em conter o avanço da doença nos presídios.A falta de informação sobre a situação dos detentos aos familiares, a superlotação e a escassez de equipamentos de proteção individual para os agentes penitenciários são as principais reclamações de quem convive com a realidade do sistema carcerário. A viúva de um reeducando, que cumpria pena no presídio de Igarassu e morreu vítima do novo coronavírus, reclamou da falta de cuidado com o marido. "Não deram assistência a ele", denunciou. Isolamento inadequado A esposa de outro reeducando se queixou da falta de informações sobre a saúde do marido. Ele testou positivo para a covid-19 e faz parte do grupo de risco da doença. Em uma gravação de áudio, enviada para a equipe da TV Jornal, ela denuncia que o marido estaria isolado de forma inadequada. "Meu marido está lá morrendo. Eu soube por gente de lá de dentro. Assistência nenhuma", relata.  Balanço Até essa segunda-feira (25), três mortes por coronavírus foram registradas entre pessoas privadas de liberdade. Ao todo, 106 casos da doença foram confirmados, sendo duas mulheres e 104 homens. Os pacientes têm idades entre 18 e 80 anos. Dentro os detentos confirmados, dois continuam internados, sendo um em leito de enfermaria e outro em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao todo, 90 já estão recuperados da doença. Os demais, continuam isolados. Outras 62 pessoas com sintomas gripais estão sendo monitoradas, sendo uma em leito de isolamento e as demais em área isoladas das unidades prisionais. Profissionais do sistema carcerário Para os funcionários do sistema prisional, a situação também é complicada. Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Pernambuco, João Carvalho, desde abril, não se tem acesso a informações sobre os profissionais infectados. Ele afirma ainda que a categoria enfrenta dificuldades para avaliar alguns casos suspeitos e se prevenir do coronavírus. A coordenadora do Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões, Wilma Melo, destaca que a superlotação nas unidades prisionais do Estado tornou-se ainda mais crítica, por causa do alto risco de contaminação. "Nós temos aproximadamente, hoje, 32 mil presos", explica. A representante da ONG se queixa que o número de profissionais para atender às demandas do sistema é insuficiente. "Tudo no sistema é sucateado. Solicito ao governador do estado que se sensibilize", pede.