ÁCIDO SULFÚRICO

Queria 'dar um susto nela', diz suspeito de jogar ácido em ex-mulher

De acordo com a Polícia, são contraditórias as versões dadas pelo ex-marido e pelo amigo dele que teria ajudado na ação. Os dois teriam jogado ácido sulfúrico no rosto da jovem de 19 anos

Queria 'dar um susto nela', diz suspeito de jogar ácido em ex-mulher

Familiares contaram que o suspeito, que tem 27 anos, sempre batia na esposa - Foto: Reprodução/TV Jornal

com informações do JC Online

A substância jogada no rosto a mulher de 19 anos foi ácido sulfúrico, segundo confirmação da Polícia Civil de Pernambuco. Em coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (9), a delegada do Departamento de Polícia da Mulher, Bruna Falcão, afirmou, entre outras coisas, que as versões apresentadas pelo ex-marido e o cúmplice no crime são contraditórias. Durante depoimento que durou cerca de duas horas, o suspeito disse que queria "só dar um susto" na ex-mulher.   

“Ele admite que planejou a investida contra a ex-companheira, que conversou com o amigo, que queria dar um susto na ex e que tinha ácido sulfúrico em casa, utilizado para desentupir a encanação. A partir deste material, decidiu se vingar dela, insistindo naquela versão de que ela não dava acesso ao filho do casal”, explicou. A delegada disse também que, segundo o ex-companheiro da vítima, o amigo dele teria sido o responsável pela execução do crime, mas que, essa versão também não se sustenta e que, na verdade, ele que teria atirado ácido contra ela. 

O inquérito ainda não foi concluído e a polícia trabalha com a acusação de lesão corporal grave, que pode gerar a pena de reclusão de 1 a 5 anos. No entanto, a polícia destacou que, se a situação da vítima se agravar, a acusação passa a ser de lesão corporal gravíssima, onde as penas variam de 2 a 8 anos. A delegada responsável pelo caso afirmou que está tentando reunir provas materiais para acusação de tentativa de feminicídio - neste caso, a pena é dois sextos menor que a de feminicídio, que varia de 12 a 30 anos de reclusão. 

O caso

O suspeito de 30 anos, com a ajuda de um amigo de 20 anos, teria jogado ácido sulfúrico na ex-companheira, com quem tem um filho, na noite da última quinta-feira (4). A mulher está internada Hospital da Restauração, correndo risco de morte e de perder a visão, com 38% do corpo atingido por queimaduras de graus II e III, na cabeça, pescoço, tronco, coxas e órgãos internos, já que o ácido atravessou o tórax da vítima. 

O cúmplice foi preso em flagrante na sexta-feira (5) e, nessa segunda-feira (08), o suspeito se entregou à polícia. Os dois foram levados para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel). Eles prestaram depoimentos, apresentando versões que “não se sustentam e não são harmônicas entre si”, segundo a delegada. 

Material apreendido no local

Ainda segundo a polícia, um recipiente plástico vazio, uma garrafa de ácido sulfúrico também vazia, cabelo humano e uma presilha de plástico foram apreendidos no local. 

Denúncias da vítima contra o suspeito

A vítima já havia registrado três boletins de ocorrência contra o ex-companheiro. O primeiro, em 13 de maio, quando ela foi física e verbalmente agredida por ele. Na ocasião, foi solicitada uma medida protetiva, mas o acusado não foi localizado e não recebeu a notificação da medida. 

Em 23 de maio, ela voltou à delegacia para registrar o segundo boletim de ocorrência. Desta vez, ele havia enviado para a irmã dela um vídeo de conteúdo violento, relacionado ao assassinato de uma mulher e dizendo que não faria isso com ela apenas por ser mãe do filho dele. 

Uma briga entre a vítima e a atual mulher do suspeito teria sido a motivação para o terceiro boletim de ocorrência. A duas trocaram agressões em uma parada de ônibus. A vítima contou o acontecido para a mãe do suspeito, ele revoltou-se com a atitude dela em envolver a mãe dele, afirmando que a ex-companheira iria pagar. "A mãe dele respondeu dizendo que se ele fosse fazer algo contra a ex-companheira, teria de fazer contra ela também porque antes de ser mãe dele ela era mulher também e não admitia aquele tipo de violência", detalhou a delegada. 

A vítima registrou o terceiro boletim de ocorrência em 1º de junho e em 5 de junho a notificação de medida protetiva foi entregue ao suspeito.  

Pai tinha acesso ao filho 

"Ele insiste na versão de que não é verdade que ele não se conformava com o fim do relacionamento, inclusive alega que havia voltado a viver com a sua esposa e que por isso não havia revolta dele na posição dela de não querer mais se relacionar. Isso tudo tem se desmentido pelas testemunhas que ouvimos. A própria mãe do suspeito foi escutada na unidade policial e disse que o acesso ao filho do casal era permitido pela ex-mulher dele sempre, então essa versão também não se sustenta", explicou a delegada.

A mãe da vítima também desmentiu a afirmação do suspeito. "Nesse mesmo dia que ele fez isso, ele estava com o menino mais cedo. Ela nunca empatou dele ver o menino", diz mãe da vítima. Confira:

 

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