CRISE

Covid-19: Mais de 2 mil empresas fecharam as portas em Pernambuco durante pandemia

Com o futuro incerto, empresários e funcionários se sentem sem saída

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 22/03/2021 às 13:45
Marcelo Camargo/Agência Brasil
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A pandemia do novo coronavírus (covid-19) afetou bastante a economia de Pernambuco. Ao todo, mais de 2 mil empresas fecharam as portas, deixando milhares de desempregados no Estado. Com o futuro incerto, empresários e funcionários se sentem sem saída.

É o caso do desempregado Cristiano Mendes. Ele conta que ser garçom sempre foi motivo de muita alegria. Porém, o tempo da felicidade e realização ficou para trás. Com a pandemia, o movimento no restaurante onde trabalhava há 8 meses foi diminuindo até não ter mais condições de manter Cristiano na equipe. Ele foi demitido e diz que não sabe como vai ser o futuro.

"O que eu fazia de melhor, não posso fazer, tenho que ficar parado. É ruim demais. Um dia só estou agoniado e daqui para frente, o que vai ser?!", questionou Cristiano.

Além de Cristiano, quem também que está tendo de conviver com uma vida de incertezas é a comerciante Ivanize Ferrari. Ela herdou do pai um fiteiro que funcionava nos arredores no Mercado de São José. Há 20 anos, era do fiteiro que a comerciante tirava a renda para sobreviver. Por causa da pandemia, a prefeitura retirou o estabelecimento do lugar e não deu prazo para reativar o comércio dela. Sem contar com o apoio do governo e sem poder trabalhar, Ivanize não consegue mais se sustentar por conta própria.

"Estou vivendo de ajuda de familiares porque eu não estou tendo condições de trabalhar. Porque o que eu sei fazer é vender e eu não posso sair para vender", relatou Ivanize.

A crise causada pelo novo coronavírus também atingiu a motorista de transporte escolar, Daniela Almeida. Sem as aulas presenciais, o serviço teve de ser paralisado. "Afetou de um jeito que eu tive que vender um dos carros para, literalmente, comer. Conta, a gente paga uma hoje, aquela mesma conta só paga a dois meses e vai", comentou Daniela.

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Dados

O estrago causado pela pandemia transformou avenidas e ruas como a da Concórdia, no Centro do Recife, onde passam normalmente milhares de pessoas, em locais completamente vazios. Sem pessoas circulando pela cidade, o impacto nas vendas tem sido devastador para as empresas.

Dados da Federação do Comércio de Pernambuco indicam que pelo menos 2.270 estabelecimentos não resistiram a crise sanitária e tiveram de fechar as portas. Cada loja que fecha representa a interrupção da cadeia produtiva com menos postos de trabalho e o aumento da pobreza na população pernambucana.

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Fechamento

Lojas, shoppings, bares e etc, tudo que não era essencial precisou fechar para diminuir a circulação de pessoas no Estado. O Restaurante da Venezuelana Mari Flores, no bairro do Espinheiro, Zona Norte, também não resistiu a mais um período de quarentena rígida. A empresária Mari Flores teve de encerrar as atividades e agora não sabe o que irá fazer para sustentar a família.

Cenário

Com a curva da doença em alta e o sistema de saúde a beira do colapso, o cenário ainda é incerto para Cristiano, Daniela, Ivanize e outros milhares de pernambucanos afetados pela pandemia.

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