ESTADO DE SAÚDE

Mulher trans queimada viva no Recife, Roberta já respira sem ajuda de aparelhos e está consciente

O estado de saúde de Roberta Silva, de 32 anos, foi repassado pelo Hospital da Restauração (HR)

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 28/06/2021 às 12:30 | Atualizado em 13/05/2022 às 17:38
Acervo/JC Imagem
FOTO: Acervo/JC Imagem
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A mulher trans identificada por Roberta Silva, de 32 anos, que foi queimada na última quinta-feira (25), no Cais de Santa Rita, na Área Central do Recife, já respira sem ajuda de aparelhos e está consciente, segundo atualização do estado de saúde feita pelo Hospital da Restauração (HR).

A informação foi dada na manhã desta segunda-feira (28). Roberta segue internada na enfermaria feminina da ala de queimados da unidade de saúde.

A vítima é acompanhada pelo médico Marcos Barreto, referência no tratamento de vítimas de queimaduras e chefe do setor na unidade hospitalar.

O crime aconteceu na madrugada dessa quinta-feira (24), por volta das 0h, quando um adolescente teria se aproximado e jogado uma substância na vítima e ateado fogo.

De acordo com a polícia, a mulher trans estaria perto do terminal rodoviário quando foi queimada. Roberta teve 40% do corpo queimado. Partes do tórax, abdômen, braços, mãos, pescoço e cabeça foram atingidos pelo fogo.

"A morte assombra a gente o tempo todo", diz primeira deputada travesti de Pernambuco

Primeira deputada travesti da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Robeyoncé Lima (PSOL) foi a primeira pessoa pública a chamar atenção para o caso da mulher transexual queimada viva esta semana no centro do Recife.

Com 40% do corpo queimado e ferimentos de até terceiro grau, Roberta, de 32 anos, sobreviveu, mas não sabe até quando.

“A expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos”, lembra Robeyoncé - eleita pela candidatura coletiva “Juntas”.

No ano passado, 237 LGBT+ morreram no Brasil, de acordo com dados do Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil, produzido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).

Deste total, 94,5% correspondem a assassinatos. No topo da lista das vítimas, estão as travestis e mulheres trans, representando 70% das mortes. Há 12 anos, consecutivamente, o Brasil é o país onde mais pessoas trans são mortas em todo o mundo.

Nesta entrevista, a parlamentar fala sobre as violências sofridas por Roberta e tantos outros transexuais, reflete sobre o preconceito que continua assolando o Brasil, cobra que o Legislativo aprove leis para a comunidade LGBTQIA+ e faz um desenho de como imagina que o país estará daqui a 10 anos.

Veja a entrevista completa clicando aqui.

Adolescente apreendido

Um adolescente foi apreendido, suspeito de cometer a agressão. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a identidade do adolescente não pode ser revelada. O adolescente foi apreendido pelo crime e autuado pelo "ato infracional análogo a homicídio doloso tentado".

O jovem foi encaminhado para a Unidade de Atendimento Inicial (Uniai) da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).

Como denunciar LGBTfobia?

A sociedade em geral e a população LGBTI podem denunciar qualquer ato violador dos seus Direitos pelo CECH, através dos números (81) 3182-7665/ 3182-7607, do e-mail centrolgbtpe@gmail.com, ou presencialmente na sede do órgão localizado na Rua Santo Elias, 535, bairro do Espinheiro.

O governo do estado garante sigilo das informações. Já a Prefeitura do Recife disponibiliza plataforma online de denúncias contra LGBTfobia através do link https://bit.ly/DenunciaLGBTRecife. Vítimas também podem procurar o Centro de Referência em Cidadania LGBT do Recife.

O equipamento fica na Rua dos Médicis, nº 86, Boa Vista, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Relembre o caso

A violência aconteceu na madrugada da última quinta-feira (24), nos arredores do Cais de Santa Rita, onde Roberta, que mora na rua, costuma frequentar.

Segundo relatou a vítima à codeputada estadual Robeyoncé Lima, o agressor se aproximou, jogou um produto inflamável e ateou fogo. A vítima foi socorrida pelo Serviço Móvel de Urgências (SAMU) e levada para o Hospital da Restauração.

Na unidade de saúde, Roberta ainda passou por um constrangimento. Ela foi inicialmente internada na ala masculina, sem ter respeitado seu gênero. Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco informou que a vítima foi transferida para a ala feminina em menos de 24 horas.

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