Denúncia

Médica da UPA de Olinda recebe coroa de flores de pacientes como ameaça; funcionários denunciam insegurança na unidade


Os servidores vem sendo ameaçados desde que a Policia Militar deixou de fazer a segurança da unidade de saúde

Catêrine Costa
Catêrine Costa
Publicado em 13/01/2022 às 17:11
Notícia
Reprodução/ Internet
Unidade de Pronto Atendimento de Cidade Tabajara, em Olinda, Grande Recife - FOTO: Reprodução/ Internet
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Lidar com o sistema público de saúde no Brasil não é tarefa fácil. Nem para os pacientes, nem para os profissionais que encaram o sistema no dia a dia. Profissionais da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cidade Tabajara em Olinda, no Grande Recife, são exemplos dessa dificuldade.

Os servidores vem sendo ameaçados desde que a Policia Militar deixou de fazer a segurança da unidade de saúde. Uma médica chegou a receber uma coroa de flores de um dos pacientes, como forma de ameaça.

Sobrecarga de trabalho

Os profissionais da UPA também se queixam da sobrecarga de trabalho devido a grande demanda de doentes. Há exatos dois anos, inclusive, eles chegaram a realizar um protesto em frente à unidade, denunciando a redução no número de médicos.

E como se não bastasse o esforço redobrado para atender tanta gente, os profissionais revelaram que muitos deles estão recebendo ameaças. 

Em um documento enviado ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), os servidores denunciam  frequentes agressões verbais, físicas e até ameaças de morte.

De acordo com o livro de ocorrências, nos últimos dois anos, foram registrados 16 casos. Mas o número pode ser ainda maior, já que algumas vítimas tem medo de denunciar o que aconteceu.

Quando tudo piorou?

A situação piorou no ano de 2019, quando Governo do Estado retirou as equipes da Polícia Militar que ficavam de plantão nas unidades. Médicos já chegaram a ser ameados por pacientes apenas por negarem atestados após a consulta. 

Outras equipes foram surpreendidas por pessoas que invadiram a sala de repouso, no horário de intervalo dos profissionais, reclamando da demora no atendimento. 

Medo

Os trabalhadores temem que aconteça algo parecido com o ocorrido em dezembro, na UPA dos Torrões, no Recife, onde uma médica foi agredida com chutes e arranhões por uma paciente que reclamava da demora para o atendimento.

SIMEPE

De acordo com a Doutora Claudia Beatriz, presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, a instituição realizou duas reuniões a cerca do problema com a Secretária Estadual de Saúde (SES-PE) e que a resposta do órgão a demanda seria a ampliação de guardas no local, bem como uma ação com a Secretaria de Defesa Social (SDS) para aumentar o policiamento.

A promessa era que a partir da data da reunião, em 23 de dezembro de 2021, as ações já seriam colocadas em práticas. 

"A gente segue monitorando, porque até o nosso conhecimento não existe ainda Polícia Militar fixa naquela unidade. São rondas que são feitas e o chamado será priorizado. Talvez isso não seja suficiente", contou. 

Conforme a médica, diante do atual cenário com altos números de pacientes com doenças respiratórias, o contingente de profissionais não comporta a demanda. "São poucos médicos para muita gente", afirmou.

Conselho Regional de Medicina

Em oficio, o Conselho Regional de Medicina informou que a SDS garantiu ampliar as rondas no local. Porém, definitivamente um grupo da Polícia Militar para ficar na unidade, como existia até 2019, não foi prometido.

"Mas nós vamos monitorar, pois se essa situação não reverter, nós vamos precisar que sindicato e SDS converse", afirmou Claudia Beatriz. 

Polícia Militar

Em nota, a Policia Militar de Pernambuco informou que seu planejamento operacional contempla todas as unidades de saúde estando sempre a disposição. Veja na íntegra:

A Polícia Militar informa que tem um planejamento operacional, o qual contempla as unidades de saúde, através de policiamento motorizado, executado por viaturas, tanto a quatro rodas quanto a duas rodas, o que garante mais mobilidade, estando sempre à disposição, caso seja empenhado através do Copom ou da equipe de servidores do local, para intervir diante de uma situação que exija presença policial no interior da unidade de saúde de pronto atendimento.